| Sucedeu
que, num ponto do Universo, perdido entre as miríades de mundos,
a matéria cósmica se condensou sob a forma de imensa nebulosa,
animada esta das leis universais que regem a matéria. Em virtude
dessas leis, notadamente da força molecular de atração, tomou
ela a forma de um esferóide, a única que pode assumir uma massa
de matéria insulada no espaço.
O
movimento circular produzido pela gravitação, rigorosamente
igual, de todas as zonas moleculares em direção ao centro, logo
modificou a esfera primitiva, a fim de a conduzir, de movimento
em movimento, à forma lenticular. Falamos do conjunto da nebulosa.
Novas
forças surgiram em conseqüência desse movimento de rotação:
a força centrípeta e a força centrífuga, a primeira tendendo
a reunir todas as partes no centro, tendendo a segunda a afastá-las
dele. Ora, acelerando-se o movimento, à medida que a nebulosa
se condensa, a aumentando o seu raio, à medida que ela se aproxima
da forma lenticular, a força centrífuga, incessantemente desenvolvida
por essas duas causas, predominou de pronto sobre a atração
central.
Assim
como um movimento demasiado rápido da funda lhe quebra a corda,
indo o projetil cair longe, também a predominância da força
centrífuga destacou o circo equatorial da nebulosa a desse anel
uma nova massa se formou, isolada da primeira, mas, todavia,
submetida ao seu império. Aquela m,assa conservou o seu movimento
equatorial que, modificado, se lhe tornou movimento de translação
em torno do astro solar.
Ao
demais, o seu novo estado lhe dá um movimento de rotação em
torno do próprio centro. A nebulosa geratriz, que deu origem
a esse novo mundo, condensou-se e retomou a forma esférica;
mas, como o primitivo calor, desenvolvido por seus diversos
movimentos, só com extrema lentidão se atenuasse,o fenômeno
que acabamos de descrever se reproduzirá muitas vezes e durante
longo período, enquanto a nebulosa não se haja tornado bastante
densa, bastante sólida, para oferecer resistência eficaz às modificações
de forma, que o seu movimento de rotação sucessivamente lhe
imprime.
Ela,
pois, não terá dado nascimento a um só astro, mas a centenas
de mundos destacados do foco central, saídos dela pelo modo
de formação mencionado acima. Ora, cada um de seus mundos, revestido,
como o mundo primitivo, das forças naturais que presidem à criação
dos universos gerará sucessivamente novos globos que desde então
lhe gravitarão em torno, como ele, juntamente com seus irmãos,
gravita em torno do foco que lhes deu existência e vida.
Cada
um desses mundos será um Sol, centro de um turbilhão de planetas
sucessivamente destacados do seu equador. Esses planetas receberão
uma vida especial, particular, embora dependente do astro que
os gerou.
Os
planetas são, assim, formados de massas
de matéria condensada porém, ainda não solidificada, destacadas
da massa central pela ação de força centrífuga e que tomam,
em virtude das leis do movimento, a forma esferoidal, mais ou
menos elíptica, conforme o grau de fluidez que conservaram.
Um desses planetas será a Terra que, antes de se resfriar e
revestir de uma crosta sólida, dará nascimento à Lua, pelo mesmo
processo de formação astral a que ela própria deveu a sua
existência...
Transcrito
do livro "A GÊNESE" de Allan Kardec
Voltar
|