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IMPULSO SENSUAL |
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O impulso sensual não tem lógica e não é subordinado a nenhum mecanismo moral. As pessoas que o sentem, estas sim, podem ou não dar-lhes vazão ou reprimi-lo segundo o seu código moral. O impulso, em si, não é moral ou imoral, ele é natural. Se é natural, pode-se estabelecer um código ético em torno de sua verdade. Ou, ao contrário, em torno do perigo de sua aceitação. Tudo depende da sociedade, do nível de cultura, de compreensão, etc. Qual a verdade, portanto, a ser respeitada: a da natureza ou a da organização social, humana, legal, religiosa, codificada etc? O conflito não tem resposta ou solução, embora cada sociedade ou pessoa encontrem códigos ou modos de comportamento dentro dos quais aceitam a limitação e o recalque de algumas de suas verdades mais fundas (que acabarão por vir à tona sob a forma de transgressão) e seu cortejo de culpas dilacerantes. É como propõe o poeta Tite de Lemos: a culpa atávica. Independe de nós. Existe. Pecado original, talvez. Não há, pois, solução, para os conflitos. A vida é a sucessão deles e quanto mais o ser consiga a contrição e a auto-reflexão, iluminar-se-á em cada fase e se enriquecerá de dúvida, de impasse e de suplício, transformando sua existência numa luta rica. A tentativa de solucionar o conflito, feita em geral com a supressão de um de seus pólos, é uma amputação grave demais, cujas conseqüências são tão dolorosas quanto a constatação da inexistência de solução. Novas dores brotam de cada solução; porém sem tentar solucionar, pelo menos parcialmente, os graves impasses que moram nos conflitos, não podemos viver! O que tem solução não é conflito; é problema; é impasse. O conflito é um complexo de conteúdos que perduram além e adiante da solução e que aumentam tanto quando há como quando não há solução. O conflito é, pois, um enigma existencial! Nunca tem resposta total, por isso vida é drama. Drama é viver na impossibilidade de solucionar a maioria dos conflitos que nos cercam. Desafiado pelo conflito, o ser humano empreende a tentativa de solução, pois foi dotado de uma mente que também é lógica e racional e entre as suas imperfeições possui a de não conseguir conviver com a dúvida. Empreende porque não compreende. O homem é um ser que não consegue conviver com o que lhe é matéria-prima: a dúvida. Porém sem ela não vive, vegeta. capacidade de enfrentar todas as dores da verdade que fazemos a corrente sem elos do nosso amadurecimento, o que não quer dizer que solucionamos nossos conflitos e sim que temos a coragem de neles mergulhar para melhorarmos doendo ao mesmo tempo que descobrindo as felicidades possíveis, tão escassas quanto sublimes, deliciosas ou pacificadoras. |
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Artur da Távola é senador e escritor - Texto Publicado com autorização do autor |
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