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Estupro.
Sempre tive horror a essa palavra, até a sua escrita me assusta.
Quando vejo nos jornais estampada a fisionomia de um desses criminosos,
confesso que me dá nojo. Sempre achei que eles deveriam ser presos
na mesma
cela para que pudessem trocar gentilezas entre eles mesmos.
Hoje, como estava sem assunto para escrever uma crônica, resolvi
passar na delegacia da mulher que fica próxima a minha casa para
ver se havia algum fato novo que pudesse me auxiliar nessa tarefa. A
delegada, uma senhora de meia idade, sempre educada e prestativa, conversava
com uma garota bem vestida, de boa aparência e, pelo que compreendi
e pude ouvir, era mais um caso de estupro.
Vi quando a garota passou as mãos nos olhos, parecia chorar.
Um choro de quem já parecia conformado com a situação.
A delegada retirou da gaveta um lenço para que ela pudesse de
fato secar os olhos.
Depois
de muita conversa a delegada chamou uma funcionária da delegacia
e
disse:
__
Vamos fazer um retrato falado do cidadão que molestou essa senhora.
Fui
chegando mais perto, alguma coisa me dizia que dali ia sair uma nova
história. A funcionária, de posse de uma prancheta, começou
a fazer as
clássicas perguntas.
__
Você pode me dizer como era o cabelo do vagabundo.
__ Era loiro, partido no meio e bem cortado.
__ Os olhos?
__ Azuis bem brilhantes.
__ A boca?
__ Carnuda. Lábios grossos e dentes perfeitos.
__ Barba?
__ Acabado de fazer, não espetava.
__ Peso?
__ Aproximadamente oitenta quilos.
__ Altura?
__ 1,80
__ Você sabe onde ele mora?
__ Não.
__ Você sabe o seu telefone?
__ Não.
__ Hum! Que pena, é bem um desse que estou procurando. Se você
encontrá-lo
outra vez, dê a ele o meu telefone. |