GEORGE CUKOR
 
George Cukor
Nome Real: George Dewey Cukor
Profissão: Diretor
Nascimento: 07.07.1899
País: Estados Unidos
Local de Nascimento: Nova York

Só depois da revista francesa Cahiers du Cinema ter ''descoberto'' George Cukor é que alguns críticos brasileiros (de outra geração) se derem ao trabalho de valorizar a obra desse cineasta. Está certo, ele não era um autor, dotado de uma visão de mundo exposta de forma cerebral em seus filmes. Mas foi um grande diretor surgido em meio ao rígido sistema industrial que existia em Hollywood desde os seus primórdios. Pena que hoje em dia, mesmo depois de seu centenário, esteja algo esquecido.
Descendente de judeus húngaros, George Dewey Cukor nasceu em Nova York em 7 de julho de 1899. Ele pretendia ser advogado. Mas, ao voltar da Primeira Guerra Mundial em 1918, largou a faculdade de Direito e optou pelo teatro. Após ser
assistente em Chicago durante um ano, foi contratado por famosos produtores do teatro em Nova York. Entre 1920 e 1928, intercalou algumas atuações como ator com seu trabalho de diretor, cada vez mais respeitado.
Nessa área, possibilitou marcantes desempenhos de novatas como Bette Davis e Mirian Hopkins. Em 1929, mais famoso, dirigiu na Broadway uma adaptação de "O Grande Gatsby", o famoso romance de F. Scott Fitzgerald. O cineasta Rouben
Mamoulian assistiu e o recomendou para os produtores de Hollywood. Estes viam com bons olhos diretores de teatro em função do cinema sonoro que, então, dava seus primeiros passos.
Seus primeiros trabalhos nos anos 30 foram como co-diretor de diversos filmes. Sozinho, estreou nessa área em ''Casamento Singular'' (Tarnished Lady, 1931). Mas seu primeiro grande êxito foi ''Jantar às Oito'' (Dinner at Eight, 1933), em que reuniu um vasto elenco de celebridades: John e Lionel Barrymoore, as provocantes Jean Harlow e Marie Dressler, entre outros.
No mesmo ano, Cukor fez a primeira versão do livro Little Women. Com ''Quatro Irmãs", esse homem educado afirmou-se não apenas como um ótimo diretor capaz de cumprir prazos e orçamentos como também capaz de captar os mais profundos
sentimentos da mulher e de obter o melhor rendimento possível das atrizes. Ele passou a ser o cineasta preferido das estrelas e de produtores em função delas. Por isso, Irving Thalberg, o poderoso chefão da Metro, não vacilou em chamá-lo para dirigir ''Romeu e Julieta'' (1936), superprodução estrelada por Norma Shearer (mulher de Thalberg) e Leslie Howard. Pena que o casal central já estivesse à beira dos quarenta anos, o que comprometeu bastante esta adaptação da peça de
Shakespeare.
Mas o filme impressionou. Deve ter sido por isso que David O. Selznick o chamou para dirigir ''...E o Vento Levou''. Muitas das cenas editadas na versão final foram feitas sob as ordens de Cukor. Caso da seqüência do incêndio em Atlanta e a
primeira aparição de Scarlett O’Hara, quando flerta com os dois irmãos. Dizem que o grande produtor ficou desapontado com o resultado inicial. Além disso, Clark Gable não o via com bons olhos, alegando que ele dava mais atenção às atrizes.
Nesse clima, após 18 dias de trabalho, o diretor foi substituído por Victor Fleming. O incidente não abalou a sua carreira. Até 1981 ele construiu uma filmografia com cerca de 50 títulos entre comédias, musicais e dramas, em que pôde orientar
atrizes como Greta Garbo, Katharine Hepburn (a mais assídua em sua obra), Ingrid Bergman, Ava Gardner, Judy Garland, Anna Magnani, Judy Holliday, Marilyn Monroe, Audrey Hepburn, Elizabeth Taylor, Jacqueline Bissett e Candice Bergen.
Mas alguns atores que trabalharam sob as suas ordens também se deram bem e ganharam o Oscar. Caso de James Stewart, Ronald Colman e Rex Harrison, laureados por ''Núpcias de Escândalo'', ''Fatalidade'' e ''Minha Bela Dama'', respectivamente.
Embora fosse um artesão obediente às regras da indústria cinematográfica e dono de um senso ético que o levava a ser fiel ao roteiro sem se preocupar com o brilho fácil, Cukor fez algumas criações ousadas para os padrões de Hollwyood. Caso de ''A Vida Íntima de Quatro Mulheres'', em que, pela primeira no cinema norte-americano, as personagens femininas falavam abertamente sobre orgasmo e frustração sexual. A cena em que a fogosa Glynnis Johns avança sobre o musculoso leiteiro é antológica. ''Ricas e Famosas'', o seu canto do cisne, também foi atrevido ao mostrar mulheres maduras seduzindo homens mais jovens para rápidos momentos de sexo. E a comédia ''Nascida Ontem'', derivada de uma peça
de Garson Kanin (e que deu o Oscar de melhor atriz à novata Judy Holliday), expunha o cínico comportamento corrupto de um político machista em Washington.
Em quase 60 anos de atividade, Cukor foi indicado cinco vezes para o Oscar de melhor diretor: em 1933 por ''Quatro Irmãs'', em 1940 por ''Núpcias de Escândalo'', em 1947 por ''Fatalidade'', em 1950 por ''Nascida Ontem'' e em 1964 por ''Minha Bela Dama'' (My Fair Lady). Com esse musical, em que o refinamento de sua linguagem era evidente, finalmente levou a estatueta para casa.
Já afastado do cinema, o poeta da alma feminina, como diziam muitos críticos, morreu em 24 de janeiro de 1983 num hospital de Los Angeles, vítima de um enfarte.
 
 

FILMOGRAFIA COMO DIRETOR

MY FAIR LADY - MINHA BELA DAMA (1963)
ADORAVEL PECADORA (1960)
NASCE UMA ESTRELA (1954)
NASCIDA ONTEM (1951)
FATALIDADE (1948)
DAVID COPPERFIELD (1935) (1935)
QUATRO IRMAS (1933)

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