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LUCHINO
VISCONTI |
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| Visconti nasceu em Milão, norte da Itália, em 1906. Proveniente de uma família tradicional e nobre, desde pequeno teve uma educação em constante contato com as mais diversas artes, visto a influência de seus pais. Sem dúvida isso foi um elemento fundamental para a postura que viria a tomar anos mais tarde. O mais pitoresco na biografia do cineasta foi o modo inusitado através do qual ele chegou ao cinema - a moda. Apresentado a Jean Renoir no início dos anos 30 pela estilista Coco Chanel, de quem era amigo, foi contratado como figurinista, depois cenógrafo para, finalmente, trabalhar como assistente de direção no filme Une Partie de Campagne, em 1936. De volta a Itália em 1942, Visconti, que já havia se rendido aos ideais comunistas, rodou sozinho o seu primeiro filme, Obssessão. Este filme é uma das obras inaugurais do neo-realismo, frequentemente adotado por Visconti em suas obras, as quais sempre trouxeram uma crítica sócio-política. Nessa mesma época surgiam outros cineastas engajados que, junto com Luchino, consolidaram a estética neo-realista italiana. Roberto Rosselini com Roma, Cidade Aberta e Vittorio de Sica com Ladrões de Bicicleta são grandes expoentes desta escola. Inspirado em uma música de Bruckner, Visconti juntou a sua percepção para a ópera ao cinema, criando um espetáculo de rara beleza: Sedução da Carne (1954), considerado por muitos críticos a sua obra-prima. Esse filme torna visível a posição de extrema importância que as artes ocupam em seus filmes. Basta ver Morte em Veneza (1971), do livro homônimo de Thomas Mann, no qual Luchino misturou música, literatura e outras artes para se ter uma prova concreta disso. Adaptou ainda obras de grandes escritores como Dostoievski, Marcel Camus, Gabriele D'Annunzio, entre outros. Mas morreu (1976) sem realizar o sonho de filmar Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust, cujo roteiro deixou escrito. Sem abandonar o neo-realismo, Visconti filmou Rocco e Seus Irmãos (1960), um drama familiar protagonizado pelo jovem Alain Delon denunciando a má sorte dos muitos que se aventuraram da campo para a cidade em busca de melhores condições de vida, e O Leopardo (1963), também sobre a crise existencial e as transformações sociais da sociedade italiana. Mesmo em seus dramas históricos como Os Deuses Malditos (1969) e Ludwig (1973), embora um tanto distante do vigor de seus outros filmes, Luchino Visconti cobra uma resposta digna do homem frente a sua omissão social, política e individual. Comunista e existencialista, são duas expressões que não esgotam a essência dos filmes criados por Luchino Visconti, obras inestimáveis do cinema italiano e de grande profundidade dramática. A decadência, o estetismo, a crítica social e a análise psicanalítica dos personagens são algumas das marcas deixadas por Visconti em sua produção artística e intelectual. Sem contar que ele tornou famosos atores como Romy Schneider, Alain Delon e Helmut Berger. No
entanto, sua postura política contestadora não o deixou
passar ileso pelo fascismo italiano. Visconti foi preso, torturado e condenado
à morte, por participar da Resistência e teve várias
obras classificadas pela censura como contrárias ao regime fascista.
A poucos dias de ser executado, conseguiu a anulação da
sentença e se salvou. Depois do fim da guerra, dirigiu um documentário
sobre o fuzilamento de condenados pela ditadura de Mussolini. |
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Filmografia
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| Principais
Filmes:
Ossessione
(Ossessione, 1942) |
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©
2002 NostalgiaBR - Geraldo de Azevedo
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