SERGEI ENSENSTEIN
 

 

 
O grande diretor, teórico, roteirista e editor Sergei Mikhailovich Eisenstein nasceu no dia 23 de Janeiro de 1898 em Riga, Latvia. Filho de uma família judeu-protestante de classe média alta, teve uma infância e educação privilegiadas. Seguia os passos de seu pai, como estudante de engenharia, quando adveio a Revolução Russa. Marcado pelos eventos de Outubro de 1917, o jovem idealista se liga ao bolcheviques o que o distancia de seu pai, lidado ao partido branco, czarista.
A Rússia revolucionária encontrava-se marcada pela fome e miséria após anos de despotismo czarista. O momento histórico era portanto terreno fértil para o surgimento de uma nova corrente artística. Eisenstein fazia parte desta avant garde, o Construtivismo. Com a promessa de um novo futuro, artistas de diversas áreas uniram seus talentos para o desenvolvimento de uma nova mentalidade e realidade social. Engenheiros e arquitetos debatem a reestruturação do espaço urbano. A poesia é desenvolvida em uma nova estrutura, bem como a pintura e escultura.
E mais importante, em uma sociedade iletrada, o cinema - em papel hoje da televisão - era um forte meio para divulgação e afirmação dos ideais revolucionários. Eisenstein, bem como seus contemporâneos "soviéticos", dedicou-se a este Cinema Social Revolucionário como pode bem ser notado em A Greve (1924) , seu primeiro filme de longa metragem.
Em 1924, após a morte de Lênin e do exílio de Trotsky cinco anos mais tarde para o México, Stalin leva a recém formada União de Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) a uma nova forma de autocratismo. Eisenstein sente o controle de Stalin, o "homem de aço", pela primeira vez após a exibição de Outubro (1929), clássico que retratava o período da segunda revolução. Considerado "rebuscado demais" para seus espectadores, Eisenstein foi coagido a reeditar seu filme.
Neste período, o cineasta viaja para o exterior em pesquisa sobre a nova técnica para a realização de filmes sonoros. Esta viagem o leva aos Estados Unidos em 1930. O desejo de realizar um filme na América não foi concretizado e o cineasta decide aceitar o convite de Diego Rivera e Robert Flaherty de fazer um filme sobre o México. O resultado de sua experiência neste período, Que Viva México, ficaria inconclusivo. De volta para Moscou, Eisenstein enfrenta problemas na aprovação de seus projetos. Em 1935, o cineasta aceita realizar seu primeiro filme sonoro, Bezhin Meadow, que seria banido do país e sua única cópia destruída pela Alemanha nazista. Hoje, existem apenas notas e fotos deste filme. Três anos mais tarde, o cineasta dirige Alexander Nevsky, seu filme mais formal, com trilha sonora encomendada de Sergei Prokofiev. Em Agosto de 1939, a União Soviética assina pacto de não agressão com a Alemanha. Este fato tira de circulação a cópia de Alexander Nevsky, que mostrava a vida do príncipe russo que combateu e expulsou os germânicos invasores no século XIII. Com Ivan, O Terrível (1943) dá início a seu projeto mais ambicioso, sob a aprovação do partido, uma trilogia sobre o famoso czar russo do século XVI. A segunda parte, realizada em 1946, teve sua exibição proibida por supostamente traçar paralelos entre a violência e tirania de Ivan com Stalin. Neste período o Eisenstein sofre um infarto fulminante provocando sua deterioração física até sua morte no dia 10 de Fevereiro de 1948 em Moscou. Deixando incompleta sua trilogia sobre Ivan O Terrível.

 

FILMOGRAFIA

A Greve (1924)
O Encouraçado Potemkim (1925)
Outubro (1927)
O Velho e o Novo (1929)
A Linha Geral (1929)
Tempestade em Sarraz (1929)
Que Viva México! (1931)
O Prado de Bejine (1935)
Os Cavaleiros de Ferro (1938)
Ivã, o terrível - 1a. parte (1944)
Ivã, o terrível - 2a. parte (1945-58)

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