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Shelton Jackson Lee (seu nome de batismo) nasceu em Atlanta, na Geórgia,
estado sulista marcado pelo forte racismo. Mas aos três anos, seu
pai, o músico Bill Lee, mudou-se com a família para o bairro
nova-iorquino do Brooklin. Sua mãe, morta em 1977, quando ele tinha
20 anos, era professora de literatura afro-americana. Apaixonado por cinema,
ele não se conformava com a passividade do cinema para negros,
e muito menos com a visão estereotipada com que os negros eram
mostrados. Contestador e dado à polêmica, sonhava fazer filmes
que mostrassem a condição dos negros e os problemas ocasionados
pelo preconceito e pobreza. Ele estudou no Morehouse College, em Atlanta,
um dos mais conceituados estabelecimentos de ensino da comunidade afro-americana
dos EUA. A seguir, graduou-se no New York University Film School. Desde
cedo revelou talento. Seu filme de graduação, Joes
Bed-Stuy, Barbershop: We Cut Heads, feito em 1982, sobre um barbeiro
do Brooklyn, ganhou o prêmio para estudantes da Academy of Motion
Pictures Arts and Sciences. A partir daí ele passou a ser visto
como um dos promissores jovens diretores de sua geração.
Seu primeiro longa-metragem comercial foi Shes Gotta Have
It (1986), até hoje inédito por aqui. Narra a história
de Nola, uma jovem e bela negra do Brooklyn, liberada sexualmente, que
relaciona-se regularmente com três parceiros bem distintos entre
si, sem que ela consiga decidir-se com qual gostaria de ficar. Um é
sensível e educado, porém ciumento e possessivo. O outro
é um belo modelo narcisista. O terceiro é um mensageiro
desempregado, bom-caráter, inteligente e divertido, que encanta
Nola. O próprio diretor reservou-se esse papel, e o personagem
passou a ser usado posteriormente em vários comerciais da Nike
dirigidos por Spike Lee. Segundo os críticos americanos, trata-se
de uma inteligente combinação de drama e humor, abordando
temas ligados aos negros, que utiliza técnicas de documentário,
com muita gente falando para a câmera, e truques estilosos típicos
de recém-saídos de escolas de cinema. Mas ainda não
traz o potencial explosivo de Faça a Coisa Certa, ou
Febre da Selva. Foi também um filme em família.
Sua irmã, Joie Lee, faz uma coadjuvante importante, enquanto seu
pai, Bill Lee, também tem um papel de destaque e responde pela
elogiada trilha sonora. Joie trabalharia na maioria dos filmes do irmão
a partir de então. Este foi também o primeiro filme da produtora
de Lee, 40 Acres and a Mule Filmworks (Quarenta Acres
de Terra e uma Mula, brincadeira com o que era dado aos negros recém-libertados
nos EUA). Feito com baixo orçamento (US$ 125 mil, obtido junto
a produtores independentes) e filmado em apenas duas semanas, em super-16
milímetros, o filme fez grande sucesso de público (faturou
US$ 9 milhões) e venceu o Prix Jeunesse no Festival de Cannes em
1986. Isso credenciou Lee a vôos maiores.
Seu segundo longa, Lute Pela Coisa Certa (1988), foi lançado
no Brasil apenas devido ao enorme sucesso do posterior Faça
a Coisa Certa. Isso explica o ridículo título nacional,
que força a semelhança, tentando atrair público.
Embora ainda sem o potencial dos filmes posteriores, Lee tenta chamar
a atenção não para os conflitos entre negros na África,
mas entre as diferentes correntes do movimento negro na América.
Há bons momentos, mas o roteiro se perde pelo excesso de tramas
paralelas. Vale mais pela bela trilha sonora de Bill Lee, pai do diretor.
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