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WINONA RYDER
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| Em Hollywood, ela é lembrada por atores e diretores como a menina frágil. Meiga para alguns, trágica para outros, mas sempre frágil. Pessoalmente, Winona Ryder é ainda menor do que parece na tela (a atriz mede 1,62 m). Os trejeitos são delicados; os olhos, densos e expressivos, parecem emprestados de alguma heroína de desenho animado japonês. "Eu sei que a minha altura e esse meu jeito de duende estão presos à minha imagem", diz a atriz, que completa 29 anos este mês. "Mas existem coisas bem piores nesta vida. Para falar a verdade, me sinto bem mais forte do que muita gente imagina." O que não falta a Winona é glamour: para muitos, ela se parece com as estrelas da época de ouro do cinema americano, como Audrey Hepburn ou Natalie Wood. A atriz já contracenou com galãs como Daniel Day-Lewis (em As Bruxas de Salem) e Gary Oldman (Drácula). Também já provou seu talento, recebendo indicações ao Oscar pelos filmes A Época da Inocência (1993) e Adoráveis Mulheres (1994). O que ainda falta é um grande sucesso. Um bom candidato é o drama romântico O Outono em Nova York, com estréia prevista para este mês no Brasil. Dirigido pela atriz Joan Chen (de O Último Imperador e da série de TV Twin Peaks), é um filme trágico. Conta a história de Charlotte (Winona), uma jovem estilista que está com os dias contados por causa de um problema cardíaco. Mesmo assim, ela se envolve romanticamente com um homem que tem o dobro de sua idade. O restaurateur grisalho e galanteador é vivido por um dos cinqüentões mais cobiçados do planeta: Richard Gere. "Cobiçado nada", diz a atriz. "Nessa faixa etária, gosto muito mais do Bruce Springsteen." Apesar da admiração pelo velho roqueiro, ela diz que dificilmente se envolveria com um homem que tivesse idade para ser seu pai. "Sou do tipo que se espanta quando vê esse tipo de discrepância. Mas minha personagem deseja Richard porque ele é um solteirão cobiçado, e ela quer passar uma noite com o cara." Para a atriz, O Outono em Nova York chegou no momento certo. "Depois do sofrimento do meu último trabalho, fazer um romance foi uma experiência iluminada", diz. No ano passado, Winona mostrou seu lado mais enérgico ao levar às telas o filme Garota, Interrompida: além de atuar, ela produziu o filme. "Foi um processo árduo, que levou anos: lapidar o roteiro, encontrar o diretor e os atores certos, levantar os recursos para as filmagens..." Havia uma razão particular para tanto empenho. Ela se identificou com o papel da jovem que, depois de uma crise nervosa, passa dois anos numa clínica psiquiátrica. Aos 19 anos, depois de romper um relacionamento com o ator Johnny Depp, a atriz entrou em depressão, acompanhada de insônia crônica. Para se recuperar, internou-se numa instituição bem semelhante à mostrada no filme. Por ironia do destino, Garota, Interrompida acabou consagrando outra atriz: Angelina Jolie, que recebeu o Oscar de atriz coadjuvante. "Não fiquei irritada por ela ter ganho", diz Winona. "É emocionante estar num filme que ganhou um prêmio da Academia. E foi um grande impulso econômico para o filme. Mais dinheiro para mim", diz, rindo. Winona é conhecida por colecionar namorados famosos: além de Johnny Depp, fazem parte da lista Daniel Day-Lewis, David Pirner (do grupo de rock Soul Asylum), David Duchovny e Matt Damon. Recentemente, foi vista ao lado do ator Chris Noth, do seriado de TV Sexo na Cidade. "Não acho que a fama tenha influenciado minha vida pessoal", diz. "Não permito que a imprensa faça parte da minha vida. Tive relacionamentos muito bons, e me sinto privilegiada por ter permanecido amiga dos meus ex." O Outono em Nova York colocou Winona frente a frente com um tema que ela nunca havia abordado no cinema: a mortalidade. "Passei boa parte de minha adolescência vendo meus amigos morrerem de Aids", diz a atriz, que morava em São Francisco, nas proximidades do bairro de Castro, onde está concentrada a comunidade gay da cidade. "As pessoas com quem eu convivia já tinham driblado a depressão e tentavam celebrar a vida em sua plenitude. Foi isso o que tentei trazer para a minha personagem." Medo da morte, Winona não tem. "Minha mãe, que é budista praticante, me ajudou nisso." Seus pais, intelectuais ligados à contracultura, deram a ela uma formação muito particular. Para começo de conversa, seu padrinho era Timothy Leary, psicólogo e escritor que defendia o uso do LSD e outras drogas psico-ativas. "Ele morreu em meus braços", diz Winona. "Suas últimas palavras foram: 'Isso é realmente fascinante, nunca tenha medo'. Ele morreu me dando esse presente, a certeza de que não é preciso ter medo. Eu acredito que a morte não é o final, mas sim o começo de uma nova jornada. |
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Filmografia
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2003
- Eulogy |
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©
2002 NostalgiaBR - Geraldo de Azevedo
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